Friday, 15 April 2011

Controle bávaro

Por uma tradição cuja origem desconheço, os transportes coletivos no Leste Europeu têm roleta livre, passa-se sem impedimentos e cada um é responsável por providenciar sua passagem. O que nem sempre é fácil, em se tratando de turista que não conhece ou entende o sistema. Assim é possível passar-se dias ou até semanas andando-se para lá e para cá sem pagar! O outro lado da medalha é que … eventualmente pega-se um controle, quando dois, 3 ou 4 camaradas robustos e mal-encarados (potencialmente ex-presidiários, a quem este é o primeiro trabalho oferecido em sua “reintegração”) entram no vagão, fecham as portas e pedem a todos que mostrem suas passagens válidas. Quem não tem, além do tratamento desagradável recebe uma multa. Que tradicionalmente sempre teve que ser paga em espécie, no ato (ou levavam o infrator a uma delegacia de polícia), mas hoje em dia pode ser paga no banco, se o infrator mostrar um documento de identidade. Há poucas semanas, em Munique, me pegaram. Olha que eu já estava acostumadíssimo com o sistema, sempre transportei-me tão legalmente quanto pude, em meus 10 anos de Viena e adjacências, e não deixaria de fazê-lo como turista por poucos dias, arriscando a estragar meu passeio. Chegando a Munique, tentei a todo o custo comprar uma “passagem semanal”, o que muito convém a quem se transporta vários dias em uma cidade, andando de metrô, bonde ou ônibus. Nenhuma das máquinas que vendia a passagem semanal aceitou qualquer de meus 4 cartões bancários, e as máquinas que aceitavam dinheiro não vendiam a tal passagem semanal. Como os guichês “com atendente” em 3 grandes estações centrais da cidade não tinham ninguém, acabei tendo que comprar de uma máquina, com dinheiro, uma passagem múltipla, cujos critérios de utilização lí em letra miudíssima, no verso. Usei constantemente carimbar uma linha dessa passagem múltipla para cada vez que me transportei, o que no verso era especificado “serve para percursos de até 4 paradas”. No dia em que fui controlado, eu tinha minha passagem em ordem. Os 4 boçais examinaram as passagens de todos no vagão e sentaram-se. Passando mais uma parada, um deles voltou a mim e pediu para ver de novo minha passagem. “O senhor acabou de infringir a lei. Dê-me sua identidade.” E passou-me uma multa de EUR 40 para pagar no banco, mostrando-me no verso da passagem – em letras menores ainda – que o limite de 4 paradas era para ônibus e bonde, para metrô era 2. Desavergonhadamente visando estrangeiros, o desgraçado esperou sentado que eu infringisse a lei! Bem, o passaporte que mostrei era holandês, e o endereço que dei era correto, embora lembro de não ter mencionado que era em Amsterdam. Não paguei nem pagarei a multa, e caso receba no futuro algum comunicado (eles não podem acionar alguém no exterior), responderei à altura - em inglês, porque está na hora de alguém colocar esta Comunidade Européia em ação, a lingua sendo uma boa maneira de começar.
Ah, a arrogância que um passaporte europeu dá!

Este humorístico filminho (alemão c/ subtítulos, 1992, 12min) mostra um tempo em que os controladores eram civilizados:
http://video.google.com/videoplay?docid=2103841859203199562#

Wednesday, 13 April 2011

Tentando recomeçar...

Meu blog mofado, aranhento. O que falar não me falta, mas vejo pouco ou nenhum sentido em fazê-lo.
Adoro tentativas de organizar o mundo. E de apresentar ao povo conhecimentos que jamais deveriam deixar o domínio da elite. (Mas afinal “qualquer miserável tem carro”!)
Deliro com livros da Taschen, como ”100 cadeiras da história”, “Hoteís-design da Indonésia”, "Fotografias Zulu".
Outro dia recebí de uma amiga uma .pps entitulada “Os 33 edifícios mais raros do mundo” (”raros” como traduzindo “estranhos” do espanhol?).
Aqui vai minha contribuição: as 4 melhores árvores na pintura contemporânea.

Tudo começou com esta manjadíssima cerejeira em flor do Museu Van Gogh, aqui de Amsterdam.

Seguiu em Budapest com este cedro do pouco conhecido e maldito pintor húngaro Csontváry, um dos poucos para quem Picasso baixava a crista.

Um dia ví estas árvores na estrada do russo-alemão Alexej von Jawlensky, no Museu Municipal de Haia.

Mais recentemente, esta tela quase inacabada do holandês Kees Van Dongen, da coleção do Hermitage de São Petersburgo.

Aguardo ansiosamente a próxima na seleção.