Num bar punkíssimo da periferia
berlinense, um pouco em estilo marroquino, mas basicamente uma
portinha fechada onde se bate e abrem, minha amiga e eu entramos e
pedimos algo para beber. Várias salas, estilosas e transadas;
senta-se em almofadas no chão. Ela diz ao garçon que queremos
visitar “O Labirinto”; pagamos EUR10 por pessoa e ele dá a cada
um uma ficha metálica, dizendo que mais tarde vem chamar. Uma 1/2
hora depois, uma moça vem apanhar um por um: venda os olhos, caminha
alguns metros, passando por portas, pára e faz uma gostosa massagem
em alguns pontos, como pescoço e coluna. Tira a venda, diz para a
gente seguir caminhando e abrir a porta, que dá numa câmara escura, onde mal se cabe, e um vídeo silencioso de um velho barbudo faz
sinal para a gente enfiar a ficha e abrir a porta. Ela dá numa
pequena câmara escura, onde há um buraco negro. Obviamente é um
tobogã, o qual entro primeiro com os pés, para escorregar. Ele
desce por alguns metros (nada muito violento), quando os pés batem
em uma parede e noto que do lado esquerdo há um buraco com alguma
luz. Saio de lado, apertadinho, por ali. É uma espécie de “oca”, na verdade um hall com várias entradas e
saídas, de diversas formas em diversas alturas (algumas tem-se que escalar para atingir), com as paredes cobertas de texturas e objetos indefinidos.
(Todo o chão por onde se caminha é acidentado, jamais reto ou
liso.) Olho ao redor por alguns minutos, e saco que o negócio é ir
explorando-as uma por uma, eventualmente voltando a esta “oca”.
Todos os caminhos voltam mais ou menos a este lugar; são sinuosos, escuros,
apertados, em materiais diversos, cores variadas, com iluminação
especial, um pouco como um “trem-fantasma”, só que sem elementos
de dar susto; cada ambiente como um pequeno universo surreal. Tudo
muito apertado, inóspito, às vezes desagradável de tocar; com
pouco ar, úmido. Câmara após câmara. Às vezes, alguma surpresa,
como uma salinha onde cabe-se em pé e a luz fluorescente é intensa.
Depois de algum tempo, passa-se a encontrar outras pessoas “perdidas”
(nunca em pé; sempre agachadas, ajoelhadas, tentando passar por
pequenas aberturas entre um lugar e outro, nem sempre fácil; com
pouquíssima luz, colorida ou piscando irregularmente), os quais
cumprimento e faço algum comentário. Alguns assustam-se de ver algo
se mexendo (os outros visitantes). Em um ponto do percurso, encontro a
amiga com quem fui. Sabe-se que o objetivo é sair dali, porém não
sem antes explorar tudo. Depois que tenho certeza de ter visto todos
os recantos, passagens e câmaras, uso a saída oculta, aliás uma
parede que se move (só se sabe se tentar empurrar), que descobrí. E
para chegar nela passa-se por um longo corredor acidentado, onde só
se pode tatear...
www.karmanoia.de
Monday, 17 September 2012
Monday, 11 June 2012
Números da moda na era do computador
Uma amiga minha conta os azulejos das
piscinas onde nada. Não sei como ela consegue...
Não sou tão fanático assim, mas
passo a vida contando, consciente ou inconscientemente.
Cada andar das casas de Amsterdam em
geral tem 3 janelas, o que origina plantas-baixas medíocres, com uma
sala de 2 janelas, semi-decente, e um quarto-tripa ao lado. Ou então
um grande salão de 3 janelas, com o quarto dando para os fundos.
Uma barra de chocolate Toblerone
(aquela dos nacos triangulares) de 200g divide-se em ONZE pedaços. Vai partilhá-la com um amigo ou 2, quantos pedaços dá para cada um? A menos que se divida em 11, sempre haverá
injustiçados. (Tenta então morder o pedaço triangular na metade,
para comer em 2...) Pior ainda: um Toblerone de 400g
divide-se em DEZESSETE pedaços. Qual foi a mente doentia que o
criou?
Escandaloso mesmo, e que não poupa
ninguém que enxergue, são os novos designs de calotas de automóveis. 90% dos carros atuais têm calotas divididas em
CINCO. Vai dividir uma circunferência, 360 graus, por 5?
Muitas calotas dividem-se também em
SETE. Dividam 360 graus por 7.
Já ví uma calota dividida em ONZE,
mas infelizmente eu não tinha câmera e não anotei o nome do carro.
Carros muito chiques têm calotas
divididas em TRÊS.
Saudosos os tempos em que as calotas
eram aquela colméia de buraquinhos que ninguém contava, ou então
divididas nos saudosos 4, 6 ou 8.
Tragédia clássico-religiosa: quando o vitral do
altar da igreja, no fundo, é dividido em DOIS, e o motivo é uma
crucifixão. Põe o Cristo à direita, à esquerda, ou no meio –
onde fica cortado em 2?
Tuesday, 29 May 2012
Swap Meet* in Tuba City
Maravilhas sequer começa a descrever o que vejo: tapetes, jóias, pedras, artesanato. Tudo a troco de banana, quando não por atacado.
As índias velhas estão encasacadas até os gargomilhos - será que isso ajuda a refrescar?! O calor é indescritível, surreal, nunca dantes visto.
Compro tudo o que vejo pela frente sem pestanejar, afinal quando voltarei aqui? O dinheiro vai rápido, e obviamente ninguém aceita cartões de crédito, o que nos garante não uma, porém DUAS idas de carro ao caixa automático mais próximo (nem por isso fácil de achar).
Encerro a aventura convencendo uma calejada pele-vermelha, enrugada como se tivesse 200 anos (mas só tem 72) a me fazer um tapete de 200 dólares por 166, afinal é realmente tudo o que me sobrou. No que ela hesita e resmunga, mas acaba concordando.
*a expressão "swap meet" (encontro para trocas/comércio) provavelmente origina-se dos tempos do faroeste.
Tuesday, 22 May 2012
back werk (C)
Poucos detalhes de minha vida austríaca ensejavam mais jogo de poder (para não dizer discriminação ou racismo), do que uma visita às padarias vienenses.
Ora, no Brasil basicamente tem-se um só tipo de massa de pão, em que formato ou tamanho o produzam. Com muita sorte, no máximo uns poucos tipos diferentes.
Nas tradicionais padarias austríacas, os tipos de massa chegam a 15. Acrescentando formas e tamanhos diversos, garantidamente jamais se encontra numa padaria menos do que 50 possibilidades.
Realmente não há como se saber o nome exato do pão - que muitas vezes ainda é uma exclusividade da padaria. Há que se confiar nas plaquinhas que indicam nome e preço na frente de cada tipo.
Eu chegava na padaria e pedia:
- Por favor, um ... Laugenstriezel - apontando para o pão desejado.
Invariavelmente ouvia como resposta da padeira, numa vozinha aguda e cantada, como que a destratar o cliente:
- Aaaah, este não é um Laugenztriezel! É um ... Mehrkornkränzerl.
Era como se ela apertasse um botão, abrisse um alçapão sob meus pés e eu caísse no fogo do inferno. Às vezes eu respondia:
- Por que a senhora não coloca o nome certo junto ao pão certo? - mas na maioria das vezes nem me dava ao trabalho...
Todos se odiavam: ela cuspia no pão, eu cuspia no dinheiro, dávamo-nos um Danke schön, auf Wiedersehen mais para insultar do que outra coisa qualquer, eu me retirava indignado, ela seguia recalcada.
Com frequência eu comprava o menos-bom pão da prateleira do supermercado, para não ter que lidar com a padaria...
- hiato de 10 anos –
Há alguns anos, passeando por alguma cidade alemã, vejo num calçadão comercial uma nova loja, muito simples e funcional, chamada Back Werk - o que eu traduziria por “Trabalho Panual”. Entro para olhar.
UMA PADARIA SELF-SERVICE! O FIM DA DITADURA!
A gente entra, pega uma bandejinha e a cobre com guardanapo descartável, passa pelas estantes e vai pegando o que quer. Paga-se no caixa, e na saída uma estante oferece sacos e espaço para se empacotar.
Desnecessário dizer, em uma economia de bem-estar social, a diminuição de mão-de-obra baixa brutalmente o preço da mercadoria. Na rede Back Werk (descubro mais tarde, há pela Alemanha inteira!), os mesmo pães custam menos da metade das outras padarias. O principal: não tendo que se submeter a jogos de poder!
Outro dia, sei lá por quê, eu visitava o website da firma. De repente, clico em Filiais Internacionais e descubro que ... há uma em Amsterdam! Não há concorrência possível: o pão holandês é ótimo, mas o deles é ainda melhor. Mesmo em se tratando de uma zona remota e de classe média baixíssima, lá vou correndo.
E desde então habituei-me a bicicletear, a cada 2 ou 3 semanas, os 14km de ida e volta à nossa filial, o que além de tudo já ajuda a consumir os carboidratos.
Thursday, 3 May 2012
Os reizinhos
Não encontro explicação para o tamanho descomunal dos carrinhos de bebê em Copenhagen. Tudo bem, os pimpolhos têm regalias em todas as economias de bem-estar social de população predominantemente idosa, porque é com os impostos futuramente pagos por eles que nos aposentaremos. Mas nessas a Suécia também se inclui, e na própria cidade de Malmö, fronteiriça com a Dinamarca, os carrinhos de bebê retornam ao conveniente tamanho normal.
Caos total: no elevador de uma grande loja de departamentos copenhaguense, dois carrinhos de bebê tentam colocar-se lado a lado. Impossível! Todos os passageiros têm que sair, e o outro carrinho esperará pela volta do elevador. O mesmo escândalo nos meios de transporte: condutores desesperados habitualmente gritam com as jovens mães, para que não se empilhem, não apertem todos os passageiros e irremediavelmente atrasem todo o trajeto.
Nasoteca???
Até o final do século 19, era considerado correto refazer-se os narizes de estátuas gregas e romanas que os tinham perdido ao longo dos tempos.
Porém, no século 20, as recontituições saíram de moda, passou-se a apreciar o look arruinado que sublimava a passagem do tempo. E os narizes foram todos retirados das estátuas.
Em Copenhagen, a gliptoteca Ny Carlsberg expõe todos os narizes em um painel, denominado "nasoteca".
Não me perguntem se há coleções de outros membros igualmente removidos...
Copenhagen suburbana
Decido em meu primeiro dia na capital dinamarquesa visitar tudo o que é longe do Centro. Compro um passe de transporte público válido por 24 horas, para todas as 9 zonas, e lá me vou.
Ainda de manhã, duas horas depois de aterrissar, chego de ônibus urbano no distrito residencial popular de Bispebjerg. Ali encontra-se a celebrada igreja de Grundtvig, uma interessante fusão de Neogótico, Art-Déco e Minimalismo, construída de 1920 a 1940, inspirada nos princípios de Nikolaj Grundtvig, um pastor luterano do início do século 19, que muito influenciaram a literatura, a educação e em última instância reavivou a consciência nacional na Dinamarca.
Os conjuntos residenciais em seu entorno são expressivos em termos de arquitetura residencial popular do início do século 20.
Uma hora e pouco em ônibus e metrô de superfície - passando por lugares onde só tenho vontade de parar e explorar tudo - leva-me a outro extremo da cidade. Na ainda-desolada extensão de Ørestad mora e trabalha a nova classe média alta. Almoço no sensacional restaurante do 23º andar do moderníssimo hotel Bella Sky Comwell: sendo novo demais para estar disputado, desfruto sozinho de um serviço personalizado com exemplar vista panorâmica.
Fazendo a digestão de meu “prato do dia” de smørrebrod com muito salmão e caviar, passeio pela nova arquitetura do distrito, entre os quais este edifício residencial com sacadas pontudas - absolutamente impossíveis de se ocupar eficientemente.
Mais metrô acrescido de trem suburbano, ressuscito no longínquo bairro de Gentofte, onde vou nadar na Kildeskovshallen, uma piscina que, de sua construção nos anos 70, automaticamente tornou-se um ícone da arquitetura dinamarquesa. Há pouco reformada, ressurgiu em todos os guias contemporâneos do assunto.Os nadadores são disciplinados e corteses, ninguém ultrapassa ninguém (como no trânsito de rua - como é que eles têm tanta paciência?!). O ingresso de EUR 5 dá também direito a sauna, afinal estamos na Escandinávia...
Esquimós Netsilik
É de se pasmar, as salas do Nationalmuseet copenhaguense dedicada a artefatos dos esquimós Netsilik do círculo polar canadense. Eles só foram consequentemente estudados na década de 1920, por um explorador dinamarquês que entre eles viveu vários meses.
Tendo como material somente o que provinha da fauna marinha (e, em mínima escala, terrestre), confeccionaram manualmente toda a gama de objetos do cotidiano de que necessitavam, dentro de uma estrita estética minimalista governada pelo utilitário.
Os “óculos de sol” abaixo serviam para a caça em dias tornados insuportavelmente claros pelo branco da neve.
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Thursday, 1 March 2012
Pobres Crianças
O Brasil está perdido em termos de nomes. Enquanto a classe média-alta refugia-se em apóstolos, santos e nome bíblicos em geral, e os nomes por assim dizer “criativos” vão para as minorias étnicas, o povão se dá direito a tudo. Uma das tendências: trocar as tradicionais letras do alfabeto português por exóticas e/ou mudas: CHRISTYNA, MARKINHOS e outras atrocidades. Mas a tendência que mais me chocou: traduzir foneticamente nomes da língua inglesa. Tive que nadar 2 meses em Porto Alegre, e ainda assim voltar para a Europa, para atinar que meu treinador DIONE (aquele velho nome feminimo, meio cafonão) na verdade era “Johnny”.
Uma amiga gaúcha professora visitou-me no mês passado. Contou-me que em sua lista de chamada há DIENIFER, DIEIMIS, DIEISON, e até um VALDISNEI (esse não só eu levo horas para atinar que na verdade é “Walt Disney”). Fomos ao Facebook, eis que já existe um feminino: VALDISNÉIA!!!
Uma amiga gaúcha professora visitou-me no mês passado. Contou-me que em sua lista de chamada há DIENIFER, DIEIMIS, DIEISON, e até um VALDISNEI (esse não só eu levo horas para atinar que na verdade é “Walt Disney”). Fomos ao Facebook, eis que já existe um feminino: VALDISNÉIA!!!
Thursday, 3 November 2011
Desenhos de Rubens

Comprei o grosso catálogo da exposição Rubens, Van Dyck & Jordaens, agora em cartaz na filial amsterdamense do Museu Hermitage, e o estou vorazmente lendo.
Surpreendí-me ao ler que as grandes pinturas de Rubens tornavam-se quase obras públicas em seu atelier de Antuérpia, onde dezenas de aprendizes e assistentes participavam, e uma considerável massa vinha ver os trabalhos. Porém o mais interessante é que ninguém nunca viu ele desenhar, o que ele só fazia sozinho e jamais deixava ninguém olhar. Guardava seus desenhos muito organizadamente e estabeleceu no testamento que eles só poderiam ser vendidos (ao contrário do resto do espólio, que foi leiloado com seu cadáver ainda quentinho), quando seu filho mais jovem completasse 18 anos, e fosse estabelecido que nenhum dos herdeiros os precisaria "para consulta", em uma possível carreira artística. (Ninguém na família foi artista, depois dele, logo a coleção rapidamente dispersou-se.)
Monday, 17 October 2011
Biblioteca 24 horas
Uma estante transadinha e protegida das intempéries em um lugar público tranquilo. Quem passa pode deixar um livro ou levar um. Ou até mesmo pegar um emprestado por alguns minutos, sentar-se por perto e ler alguma passagem.
A invenção tem se tornado moda na Alemanha, onde pela primeira vez registrei em Augsburg, em 2008. Mais recentemente, em Bruchsal, em agosto deste ano (↑). Uma variante: sobre um banco de igreja, em uma caixinha de madeira.
Friday, 14 October 2011
diminutivos & AUMENTATIVOS
A melhor proteção é a ignorância.
Apesar de a língua holandesa ser paupérrima e exclusivamente coloquial*, os holandeses vangloriam-se dela. Em especial do fato de poderem colocar substantivos no diminutivo, o que fazem com frequência. Tudo aqui é “cafézinho”, “carrinho”, “namoradinho”, independente de tamanho.
O que eles pensariam da língua portuguesa, onde se pode colocar não só os substantivos em diminutivo e aumentativo, como também outras classes de palavras?!
Vocês já analisaram:
- “Ele é BONITÃO.” (adjetivo aumentado)
- “Saí com o dinheiro CONTADINHO.” (verbo no particípio aumentado)
- “Olha só que MULHERAÇO!” (substantivo não só aumentado como trocado de gênero)
- “Ele está VIAJANDÃO.” (gerúndio no aumentativo)?
Não sou dado a ufanismos, mas não conheço outra língua que se preste a tanto.
* Não há literatura clássica, ou linguagem culta: a Rainha fala igual a um pedinte de rua.
Apesar de a língua holandesa ser paupérrima e exclusivamente coloquial*, os holandeses vangloriam-se dela. Em especial do fato de poderem colocar substantivos no diminutivo, o que fazem com frequência. Tudo aqui é “cafézinho”, “carrinho”, “namoradinho”, independente de tamanho.
O que eles pensariam da língua portuguesa, onde se pode colocar não só os substantivos em diminutivo e aumentativo, como também outras classes de palavras?!
Vocês já analisaram:
- “Ele é BONITÃO.” (adjetivo aumentado)
- “Saí com o dinheiro CONTADINHO.” (verbo no particípio aumentado)
- “Olha só que MULHERAÇO!” (substantivo não só aumentado como trocado de gênero)
- “Ele está VIAJANDÃO.” (gerúndio no aumentativo)?
Não sou dado a ufanismos, mas não conheço outra língua que se preste a tanto.
* Não há literatura clássica, ou linguagem culta: a Rainha fala igual a um pedinte de rua.
Thursday, 12 May 2011
OSSOS DO OFÍCIO

Ossuários não são incomuns em culturas hispâncias, onde exercem uma macabra atração sobre católicos fervorosos.
Porém este tem situação e história particulares.
Em Kutná Hora, uma pacata cidade no coração da Boêmia (antiga Checoslováquia, hoje República Checa), uma pequena igrejinha suburbana dos 1700 oculta uma cripta repleta de ossos, em arranjos que decoram seus ambientes subterrâneos. Tudo foi montado por uma só pessoa, um zelador – provavelmente entediado... – que nos 1870 passou anos a organizar os ossos e fixá-los em formas barrocas, imitando a arquitetura clássica da outrora rica cidadezinha mineira medieval.
O que mais me surpreende é algo assim ser NOVO, pois, durante o Comunismo e logo após a ele, apesar de estar lá a capela não era aberta, ou sequer conhecida; há pouquíssimos anos é que a abriram e jorraram os turistas.
Visitar http://www.kostnice.cz/
Wednesday, 11 May 2011
TUDO SE RECICLA
Da coleção de revistas alemã sobre design religioso de uma amiga retirei prédios contemporâneos must see para ir checar.
Estando em Aachen, Alemanha, no fim-de-semana passado, fui visitar um deles.
A igreja Saint-Josef foi construída no século 19. Nos últimos tempos, o declínio significativo do número de paroquianos ocasionou um imenso vazio na nave da igreja durante os restritos horários de culto.
Transformaram então 2/3 do interior da igreja em ... cemitério! (Como costumava ser com grande parte das igrejas na Europa Setentrional até a invasão de Napoleão, que proibiu este hábito, na época extremamente insalubre.) Neste caso, um cemitério de urnas com cinzas de pessoas cremadas.

O resultado é espetacular. Um ambiente de solenidade indescritível.
A restrita palheta de materiais inspira serenidade e harmonia: cascalho cinza, concreto aparente, aço enferrujado, vitrais em cinzas e poucos azuis, cubos de granitos locais contendo as cinzas.
Um monumental candelabro (20m de comprimento) em plástico branco translúcido paira como um zeppelin no centro da nave. Na longitude total do corpo da igreja, corre um fio de água à Alhambra granadina.
Totens de concreto funcionam iconicamente como receptáculos dos receptáculos, uma estrutura rigorosa e modulada.
Estando em Aachen, Alemanha, no fim-de-semana passado, fui visitar um deles.
A igreja Saint-Josef foi construída no século 19. Nos últimos tempos, o declínio significativo do número de paroquianos ocasionou um imenso vazio na nave da igreja durante os restritos horários de culto.
Transformaram então 2/3 do interior da igreja em ... cemitério! (Como costumava ser com grande parte das igrejas na Europa Setentrional até a invasão de Napoleão, que proibiu este hábito, na época extremamente insalubre.) Neste caso, um cemitério de urnas com cinzas de pessoas cremadas.

O resultado é espetacular. Um ambiente de solenidade indescritível.
A restrita palheta de materiais inspira serenidade e harmonia: cascalho cinza, concreto aparente, aço enferrujado, vitrais em cinzas e poucos azuis, cubos de granitos locais contendo as cinzas.
Um monumental candelabro (20m de comprimento) em plástico branco translúcido paira como um zeppelin no centro da nave. Na longitude total do corpo da igreja, corre um fio de água à Alhambra granadina.
Totens de concreto funcionam iconicamente como receptáculos dos receptáculos, uma estrutura rigorosa e modulada.
Friday, 15 April 2011
Controle bávaro
Por uma tradição cuja origem desconheço, os transportes coletivos no Leste Europeu têm roleta livre, passa-se sem impedimentos e cada um é responsável por providenciar sua passagem. O que nem sempre é fácil, em se tratando de turista que não conhece ou entende o sistema. Assim é possível passar-se dias ou até semanas andando-se para lá e para cá sem pagar! O outro lado da medalha é que … eventualmente pega-se um controle, quando dois, 3 ou 4 camaradas robustos e mal-encarados (potencialmente ex-presidiários, a quem este é o primeiro trabalho oferecido em sua “reintegração”) entram no vagão, fecham as portas e pedem a todos que mostrem suas passagens válidas. Quem não tem, além do tratamento desagradável recebe uma multa. Que tradicionalmente sempre teve que ser paga em espécie, no ato (ou levavam o infrator a uma delegacia de polícia), mas hoje em dia pode ser paga no banco, se o infrator mostrar um documento de identidade. Há poucas semanas, em Munique, me pegaram. Olha que eu já estava acostumadíssimo com o sistema, sempre transportei-me tão legalmente quanto pude, em meus 10 anos de Viena e adjacências, e não deixaria de fazê-lo como turista por poucos dias, arriscando a estragar meu passeio. Chegando a Munique, tentei a todo o custo comprar uma “passagem semanal”, o que muito convém a quem se transporta vários dias em uma cidade, andando de metrô, bonde ou ônibus. Nenhuma das máquinas que vendia a passagem semanal aceitou qualquer de meus 4 cartões bancários, e as máquinas que aceitavam dinheiro não vendiam a tal passagem semanal. Como os guichês “com atendente” em 3 grandes estações centrais da cidade não tinham ninguém, acabei tendo que comprar de uma máquina, com dinheiro, uma passagem múltipla, cujos critérios de utilização lí em letra miudíssima, no verso. Usei constantemente carimbar uma linha dessa passagem múltipla para cada vez que me transportei, o que no verso era especificado “serve para percursos de até 4 paradas”. No dia em que fui controlado, eu tinha minha passagem em ordem. Os 4 boçais examinaram as passagens de todos no vagão e sentaram-se. Passando mais uma parada, um deles voltou a mim e pediu para ver de novo minha passagem. “O senhor acabou de infringir a lei. Dê-me sua identidade.” E passou-me uma multa de EUR 40 para pagar no banco, mostrando-me no verso da passagem – em letras menores ainda – que o limite de 4 paradas era para ônibus e bonde, para metrô era 2. Desavergonhadamente visando estrangeiros, o desgraçado esperou sentado que eu infringisse a lei! Bem, o passaporte que mostrei era holandês, e o endereço que dei era correto, embora lembro de não ter mencionado que era em Amsterdam. Não paguei nem pagarei a multa, e caso receba no futuro algum comunicado (eles não podem acionar alguém no exterior), responderei à altura - em inglês, porque está na hora de alguém colocar esta Comunidade Européia em ação, a lingua sendo uma boa maneira de começar.
Ah, a arrogância que um passaporte europeu dá!
Este humorístico filminho (alemão c/ subtítulos, 1992, 12min) mostra um tempo em que os controladores eram civilizados:
http://video.google.com/videoplay?docid=2103841859203199562#
Ah, a arrogância que um passaporte europeu dá!
Este humorístico filminho (alemão c/ subtítulos, 1992, 12min) mostra um tempo em que os controladores eram civilizados:
http://video.google.com/videoplay?docid=2103841859203199562#
Wednesday, 13 April 2011
Tentando recomeçar...
Meu blog mofado, aranhento. O que falar não me falta, mas vejo pouco ou nenhum sentido em fazê-lo.
Adoro tentativas de organizar o mundo. E de apresentar ao povo conhecimentos que jamais deveriam deixar o domínio da elite. (Mas afinal “qualquer miserável tem carro”!)
Deliro com livros da Taschen, como ”100 cadeiras da história”, “Hoteís-design da Indonésia”, "Fotografias Zulu".
Outro dia recebí de uma amiga uma .pps entitulada “Os 33 edifícios mais raros do mundo” (”raros” como traduzindo “estranhos” do espanhol?).
Aqui vai minha contribuição: as 4 melhores árvores na pintura contemporânea.
Tudo começou com esta manjadíssima cerejeira em flor do Museu Van Gogh, aqui de Amsterdam.
Seguiu em Budapest com este cedro do pouco conhecido e maldito pintor húngaro Csontváry, um dos poucos para quem Picasso baixava a crista.
Adoro tentativas de organizar o mundo. E de apresentar ao povo conhecimentos que jamais deveriam deixar o domínio da elite. (Mas afinal “qualquer miserável tem carro”!)
Deliro com livros da Taschen, como ”100 cadeiras da história”, “Hoteís-design da Indonésia”, "Fotografias Zulu".
Outro dia recebí de uma amiga uma .pps entitulada “Os 33 edifícios mais raros do mundo” (”raros” como traduzindo “estranhos” do espanhol?).
Aqui vai minha contribuição: as 4 melhores árvores na pintura contemporânea.
Tudo começou com esta manjadíssima cerejeira em flor do Museu Van Gogh, aqui de Amsterdam.
Seguiu em Budapest com este cedro do pouco conhecido e maldito pintor húngaro Csontváry, um dos poucos para quem Picasso baixava a crista.
Saturday, 2 October 2010
Thursday, 19 August 2010
CANTAR POR CANTAR
Cantar de alegria não é so coisa de bêbado. É também de holandeses, povo treinado para não mostrar emoções. Quando sentem algo, cantam.
Existe um bar em Amsterdam onde as pessoas reunem-se para cantar. Ali pela noitinha começam a chegar os primeiros clientes, pedir bebida, e lá pelas tantas um começa a cantar algo; os outros seguem. Não vale sucesso do hit parade, tem que ser canção simples e fácil de seguir.
http://www.youtube.com/watch?v=JH0J6pF4sB4
Uma festa de aniversário holandesa é impensável sem grandes cantorias. Infalivelmente, no mínimo um dos convidados terá preparado em casa alguns evergreens conhecidos, com textos alterados, incluindo detalhes e gostos do aniversariante, impressos e com inúmeras cópias, distribuídas aos convivas, que a certo ponto da festa cantarão alegremente.
Ontem de manhã, 11h30min, em Arnhem (uma cidade do leste dos Países Baixos): vindo a passos ritmados pela rua onde eu passava, um duo peculiar. Dois homens, um vestido de camponês italiano, levando pela coleira outro, usando como capa um cobertor de padrão pele-de-vaca. Ambos cantavam alegremente:
“Lala-lala-lala
A va-ca colo-ri-da
Lala-lala-lala”
(Sem a mínima preocupação em mostrar masculinidade, o que me chocou muito, em chegando a pouco da Itália.)
Despedida de solteiro? Projeto artístico? Tese de Mestrado? Aqui tudo é possível... Não entendí, mas gostei e tive que rir.
Existe um bar em Amsterdam onde as pessoas reunem-se para cantar. Ali pela noitinha começam a chegar os primeiros clientes, pedir bebida, e lá pelas tantas um começa a cantar algo; os outros seguem. Não vale sucesso do hit parade, tem que ser canção simples e fácil de seguir.
http://www.youtube.com/watch?v=JH0J6pF4sB4
Uma festa de aniversário holandesa é impensável sem grandes cantorias. Infalivelmente, no mínimo um dos convidados terá preparado em casa alguns evergreens conhecidos, com textos alterados, incluindo detalhes e gostos do aniversariante, impressos e com inúmeras cópias, distribuídas aos convivas, que a certo ponto da festa cantarão alegremente.
Ontem de manhã, 11h30min, em Arnhem (uma cidade do leste dos Países Baixos): vindo a passos ritmados pela rua onde eu passava, um duo peculiar. Dois homens, um vestido de camponês italiano, levando pela coleira outro, usando como capa um cobertor de padrão pele-de-vaca. Ambos cantavam alegremente:
“Lala-lala-lala
A va-ca colo-ri-da
Lala-lala-lala”
(Sem a mínima preocupação em mostrar masculinidade, o que me chocou muito, em chegando a pouco da Itália.)
Despedida de solteiro? Projeto artístico? Tese de Mestrado? Aqui tudo é possível... Não entendí, mas gostei e tive que rir.
Tuesday, 17 August 2010
Direito de Protestar
Existem razões para se gostar da Holanda. Uma delas é que todos têm o direito de exigir mudanças - e serem considerados!
Por exemplo: há vários anos que as toaletes masculinas dos teatros amsterdamenses foram invadidas pelas mulheres, em protesto por sempre haver fila para as mulheres (que as usam mais tempo) e nunca para os homens. Até já me acostumei a fazer o xixizinho básico com a mulherada passando...
Voltamos de férias anteontem. Hoje fui nadar na piscina de costume, onde sentí presságios de mudança. Há poucos meses reformaram todas as instalações, e substituíram os armários antigos por novos, que requerem uma moeda de 20 centavos de Euro para funcionar; uma maneira sutil de inflacionar o preço da entrada em 5%. Pois, nessas 3 semanas em que me ausentei, em rebelião os frequentadores começaram a deixar seus pertences espalhados por tudo, até nas próprias cabines em que a gente se troca, recusando-se a pagar pelo uso dos armários. E obviamente nunca nada será roubado.
Por exemplo: há vários anos que as toaletes masculinas dos teatros amsterdamenses foram invadidas pelas mulheres, em protesto por sempre haver fila para as mulheres (que as usam mais tempo) e nunca para os homens. Até já me acostumei a fazer o xixizinho básico com a mulherada passando...
Voltamos de férias anteontem. Hoje fui nadar na piscina de costume, onde sentí presságios de mudança. Há poucos meses reformaram todas as instalações, e substituíram os armários antigos por novos, que requerem uma moeda de 20 centavos de Euro para funcionar; uma maneira sutil de inflacionar o preço da entrada em 5%. Pois, nessas 3 semanas em que me ausentei, em rebelião os frequentadores começaram a deixar seus pertences espalhados por tudo, até nas próprias cabines em que a gente se troca, recusando-se a pagar pelo uso dos armários. E obviamente nunca nada será roubado.
Monday, 24 May 2010
VISITA INESPERADA
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